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sábado, 22 de dezembro de 2012

O ETERNO NATAL

Poema de Daria Glaucia, Extraído do Livro Antologia A Poesia do Natal
Organizado por Sammis Reachers

Abro o Livro, vovó, aquele livro
que você lia com ternura infinda,
e na mesma ansiedade de criança,
releio a velha história do Natal...
e lenta, lentamente, vovozinha,
as páginas virando, vou sentindo
de longa antiguidade, muito além,
um perfume sutil, que vem surgindo
das campinas floridas de Belém...
E sobe, pelo ar, suavemente
perdida na distância das alturas,
um murmúrio de vozes, vozes d’anjos
rasgando a espessa paz dessas planuras.
E, do fundo da noite constelada
vejo surgir — doce visão de luz,
a lâmpada de Deus — estrela linda
pra clarear a choça de Jesus!
 

Agora, vovozinha, o livro fecho,
mas vejo o mundo — livro colossal,
as velhas folhas denegridas, sujas
da poeira das guerras e do mal,
por séculos esparsas
como levadas por um vendaval!
Mas eu tenho, vovó, tenho esperança,
com a mesma fé dos tempos infantis,
que o mundo inda será um livro novo,
todinho de gravuras
e paisagens de rútilo matiz.
E trago ao coração uma certeza

que atravessou comigo toda a infância,
pura e sem igual:
— Um dia a divina criança de Belém
pequena se fará mais uma vez,
para caber em cada coração...
E na luz infantil da estrela santa
levaremos n’alma esta alegria,
quais sininhos da noite festival;
e, no mundo de Deus, linda, tão linda,
será eterna festa de Natal!

domingo, 16 de dezembro de 2012

NATAL

Poema de Brant Horta
Extraído de Florilégio Cristão

Jesus nasceu!

Num pequeno E humilde leito de feno,
Ei-lo coberto de luz.
É a luz do bem, da humildade,

Que envolve de claridade
O pequenino Jesus.
Natal! Natal! Que alegria!

Pastores em romaria
Vêm aos pés do Redentor.
E os reis Magos, enlevados,
Chegam de longe, guiados Pela estrela do pastor.
Não vem ao mundo num leito
De púrpura e de ouro feito,
Por entre pompas, mas eis
Que nasce pobre, sem manto
Que o envolva, sendo, no entanto,
Maior que todos os reis.
Rebanhos, flores e, em bando,

As aves vão proclamando:
— Cristo acaba de nascer!
Herodes, grande e potente,

Manda matar o inocente,
Mas Jesus tem mais poder.
Nasceu Jesus!

Todo o mundo Vai ver o poder fecundo
Do seu amor sem rival!
Na terra e céus, tudo brilha!
Tudo é luz e maravilha!
E os anjos clamam: — Natal!

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

NOITE DE PAZ

Poema de Mário Barreto França 
Extraído do livro A Poesia do Natal Antologia
Organizado Sammis Reachers

Toda a bondade, toda a esperança,
Que anima o velho e exalta a criança
No mesmo ideal,
Vem do teu berço, divino Mestre,
Que marca a nova era terrestre
No teu Natal.


Em qualquer parte do mundo inteiro
Há sempre um templo, sempre um pinheiro,
A anunciar
Que tu nasceste para que o mundo
Tivesse o ensejo grato e fecundo
De se salvar.


Em todo lábio que te agradece
Mais doce é o hino, mais santa é a prece,
Mais pura é a voz,
Pois nesta noite nasces de novo
Para a alegria de todo o povo,
De todos nós...


Ai! Quem me dera, Jesus bendito,
Que todo o mundo cansado e aflito
Quisesse ouvir
O teu apelo de todo o ano,
Para despir-se do ódio humano
E te seguir;
 

Seguir a estrela do teu ensino
Para tornar-se como um menino,
Que te bendiz
Na sua doce e casta alegria,
Na sua ingênua sabedoria
De ser feliz.
 

Que a tua nova, serena e boa,
Encha de graça cada pessoa,
Seja quem for;
Que na amargura mostre um sorriso,
E ache a promessa de um paraíso
No teu amor.
 

Noite de bênçãos feliz e linda,
Que o teu luzeiro rebrilhe ainda,
Rebrilhe mais,
Glorificando a Deus nas alturas,
E unindo todas as criaturas
Na tua paz!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Natal

Poema de Olavo Bilac (1865 – 1918)

No ermo agreste, da noite e do presepe, um hino
De esperança pressaga enchia o céu, com o vento...
As árvores: “Serás o sol e o orvalho!” E o armento:
“Terás a glória!” E o luar: “Vencerás o destino!”
E o pão: “Darás o pão da terra e o pão divino!”
E a água: “Trarás alívio ao mártir e ao sedento!”
E a palha: “Dobrarás a cerviz do opulento!”
E o teto: “Elevarás do opróbrio o pequenino!”
E os reis: “Rei, no teu reino, entrarás entre Palmas!”
E os pastores: “Pastor, chamarás os eleitos!”
E a estrela: “Brilharás, como Deus, sobre as almas!”
Muda e humilde, porém, Maria, como escrava,
Tinha os olhos na terra em lágrimas desfeitos:
Sendo pobre, temia; e, sendo mãe, chorava.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A MANJEDOURA E A ESTRELA


De: Florilégio Cristão

ESTRELA (arrogante) — Eu moro nas alturas consteladas e ando por entre as gázeas nebulosas, no éden, onde as estrelas são as fadas de longas cabeleiras luminosas. A via-látea é o tálamo argentino onde derramo toda a minha luz. — Iluminar o céu é o meu destino, pois para isso na amplidão me pus. Nem águias, que transpõem cordilheiras, atingirão jamais onde eu habito, porque, cheias de tédios e canseiras, jamais penetrarão pelo infinito. Estrela sou na etérea imensidade, a fúlgura janela de cristal por onde espia Deus, da eternidade, o mundo cheio de tristeza e mal. E tu, quem és, humilde Manjedoura, para que contes toda a tua glória? Hás de passar: eu sou imorredoura, pois não tem fim a minha trajetória.

MANJEDOURA (humilde) — Eu nada valho diante de uma Estrela, que enche o infinito todo de clarão, porém, não sendo eu fulgurante e bela, a minha glória não é sem razão — Vivo na terra, habito com a pobreza e nada sei da tua formosura; sou palha seca, seca e sem beleza, e só o pobre pária me procura. Os bois, que mugem ao cair do dia, buscam-me sempre com satisfação, porque o meu feno à fome que os crucia vai-lhes servir de abençoado pão... Não sou de Deus janela, como dizes ser entre os astros todos do infinito, mas os que vêm a mim são mui felizes e de alegria soltam o seu grito. Isso me satisfaz, é a minha glória, se não clareio o céu, que quero mais? Cheia de ilustrações é a minha história, mais bela que a dos mundos siderais.

ESTRELA — Não creio no que dizes, és falace e, arrependida, a fronte não inclinas... Que seria do mundo, se faltasse o brilho das Estrelas peregrinas?

MANJEDOURA — Embriaga-te o fascínio das alturas e muito grande tu desejas ser, mas, apesar de tudo, não procuras um caso extraordinário me dizer!

ESTRELA — Pois ouve lá: Há séculos passados, quando guerra no mundo não havia, de entre outros astros de clarões dourados, que transformam a noite escura em dia, fui escolhida, pelas mãos divinas, para desempenhar uma missão de procurar ao longo das campinas a do Messias pobre habitação. Tomei o meu diadema luminoso e, de lampejos novos me vestindo, tornei o espaço mais esplendoroso. E nesse dia o céu ficou mais lindo. E, cheia de fascínio, caminhando através do atapetado céu, parti, o berço do Messias procurando, do Cristo cuja face inda não vi. Errei pela amplidão da Palestina, como quem busca para si tesouros, como quem o seu nome não declina quando a vitória aos pés lhe atira os louros. Depois olhei no engaste azul celeste para escutar dos anjos as canções e embaixo vi Belém, de humilde veste, sorrindo para todas as nações... Jesus nascera, o Salvador do mundo, cuja choupana iluminei, radiante, Ele na terra, em seu fulgor profundo, eu a fulgir no páramo distante! Tiveste tu a glória sublimada de, sobre a casa onde Jesus nasceu, brilhar — opala grande e iluminada — como naquele dia brilhei eu?

MANJEDOURA — Somente tu, Estrela fulgurante, brilhaste sobre o teto do Messias, mas não estavas tu no céu distante, como ver ao menino poderias? Foste menos feliz do que eu, no entanto, porque não contemplaste o Salvador, teu orgulho dos cimos era tanto que nem pudeste ver o bom Senhor! Pois eu vestes não tive aparatosas, nem me enfeitei de contas de esmeraldas, nem o meu solo atapetei de rosas, nem ostentei coroas e grinaldas, para, naquele dia memorável, ouvir dos anjos as canções sem fim, porque, sendo eu humilde e miserável, o Salvador nasceu dentro de mim! Fui eu quem teve a dita sublimada de receber a criança no regaço, quando, naquela noite iluminada, brilhaste no zimbório azul do espaço; fui eu quem, ao abrir no infinito os olhos abrasados pela luz, sorriu na terra para o peito aflito, no primeiro sorriso de Jesus!

ESTRELA — Tu tens razão. .. Adeus! Onde cintilo, pairam as nuvenzinhas cor-de-rosa, e inda percebo ouvir no céu tranqüilo as melodias da harpa sonorosa. .. Adeus! Adeus! O espaço me convida e eu devo alar-me para os céus azuis; vou procurar em Cristo a eterna vida, pois vida eterna só há em Jesus!

MANJEDOURA (sozinha) — Nasceu Jesus! Hosanas nas alturas e paz na terra aos homens que Deus ama! Vibrem de gozo todas as criaturas, porque do céu perfume se derrama e a terra toda se enche de alegria para aclamar Jesus, o Sumo Bem, o Rei nascido numa estrebaria, na manjedoura humilde de Belém.

POEMAS DE NATAL


 PRESENTE PARA JESUS

Poema de João de Deus Ferreira 

Queria que o meu Jesus,
que faz anos neste dia,
tenha festa, tenha luz
e muita, muita alegria.

Como eu, ele há de gostar
de receber um presente!
Que lhe devo então levar,
para ficar mais contente?

Lindo brinquedo talvez
lhe desse satisfação!...
Mas será bem mais feliz,
se lhe der meu coração.

Meu coração pequenino,
meu Jesus, ofereço a ti;
Tu aceitas um menino,
Tu recebes mesmo a mim!